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Livro A Matilde Está Careca


Livro A Matilde Está Careca

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Esta é a história da Matilde, uma menina que enfrenta, como tantas outras crianças, uma doença muito assustadora.

A Matilde Está Careca é uma obra escrita a várias mãos, por ex-alunos da Faculdade de Medicina de Lisboa, e maravilhosamente ilustrada por José Souto Moura. Estes alunos, hoje profissionais de saúde, contactaram durante os seus anos de formação com a presença de Doutores Palhaços nos corredores do Hospital Santa Maria e este livro retrata também a sua visão sobre a importância do nosso trabalho junto das crianças hospitalizadas.

Explorando a obra, recomendada pelo Plano Nacional de Leitura, podem abordar junto das vossas crianças este tema assustador de forma simples e sensível, ajudando a promover a inclusão social.

 

Textos:

Francisco Goiana da Silva

Catarina Reis de Carvalho

David Cordeiro de Sousa

Márcio Afonso Mestre

Margarida Vargas Castanho

 

Ilustrações e Design

Zé Maria Souto Moura

 

Impressão

Lidergraf

 

A lei natural das histórias

Se a "lei natural da vida" fizesse... lei as crianças não morriam. Nem muito menos nos confrontavam a todos com o pavor de ficarem doentes, a ponto de nos assustar, sequer, imaginar que as podemos perder. E, se fosse assim, não seriam nem precisos hospitais para as crianças nem médicos que as curassem (para além das doenças infantis que, com bonomia, são vividas por nós como uma espécie de campanha de vacinação que, apesar da febre com que vêm equipadas, e dos nossos sobressaltos, as ajudam a crescer robustas e saudáveis).

 

Mas há crianças que adoecem, gravemente, e que para serem resgatadas precisam dos hospitais para as crianças onde permanecem muitos dias. E - mais, ainda - precisam de medicamentos muito agressivos sem os quais "fugiriam" das nossas mãos a ponto de poderem morrer. Estas crianças têm, regra geral, uma delicadeza esmagadora e comovente, diante do sofrimento. E são perseverantes, solidárias e cuidadoras dos próprias pais como se fossem "só" crianças (de cabeça do ar e distraídas), fazendo de conta - para sossego deles - que não entendem, ao pormenor, tudo aquilo que se passa à sua volta.

 

E há crianças para quem, apesar dos medos que vivem e da dor que experimentam, o mundo das pessoas crescidas (sejam pais, médicos ou enfermeiros) é misterioso, até, porque - para além de as sentirem vacilantes e apavoradas -  por mais que as perscrutem nos seus olhos, não encontram nele todas as legendas para aquilo que vivem, todos os dias, num hospital de crianças (o tal sítio que, se a lei natural da vida fizesse lei, não precisava de existir).

 

E é assim que um livro para elas, falando de meninos que contrariam essa lei, supostamente natural, ao contar-lhes uma história, onde se possam reconhecer (em todos os sobressaltos de quem, como um guerreiro astuto, luta com eles), as ajuda a perceber as dores, os medos (de tão grandes) que não se falam, as pessoas (que ora parecem más como, a seguir, as salvam), e as respostas tolas que lhes dão,  e tudo o mais que se ganha numa doença oncológica, e que ajuda a fazer com que o mundo seguro duma criança desmorone, aos bocadinhos, com as trapalhices dos adultos. Talvez seja por isso que as crianças, quando adoecem, pareçam perder as manhosices que, essas sim, fazem parte da lei natural das crianças. Não é que as percam: antes as sossegam. Porque acorrem aos sobressaltos dos adultos e são cuidadoras (mais, às vezes) do que são cuidadas!

 

Por tudo isto, há livros onde não fica muito claro se são escritos para as crianças ou para os pais. Eu acho que estes são os livros especiais! Pela forma como falam das doenças fora-da-lei (de forma clara e terna) a ponto de, por vezes, quase parecer, que de dentro da história, surge quem nos aconchega (mesmo quando esperávamos que nos picasse, unicamente, e picasse, uma vez mais, e picasse, apesar dos sorrisos de quem pica e do silêncio dos pais que, assustados, deixam de ser leões assanhados e se tornam só... calados). Aliás, se os pais podem tudo, a ponto de chegarem quase ao céu, porque é que não deixam as crianças fugir do hospital onde os maus parecem bons e os bons são distraídos, por exemplo, para que a lei das crianças possa, finalmente, fazer lei?

 

Por tudo isto, "A Matilde está careca" não é um livro nem um manual de instruções: é um guia de viagem. Daqueles que nos mostra os lugares, nos fala das pessoas e dos costumes e desafia, sobretudo, para os pormenores escondidos. "A Matilde está careca" não fala de hospitais para crianças! Torna lugares como esses (que contrariam a lei natural, claro) num sítio com pessoas: escutadoras, delicadas e que transformam sofrimento em histórias. Como quem nos guia, passo a passo. Como se, no final, houvesse - isso sim! - uma lei natural das histórias.

 

Eduardo Sá

 

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